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Redes sociais impulsionam venda de abadás para o Carnaval

Em entrevista para o A Tarde, Priscyla Caldas falou sobre como as redes sociais podem impulsionar a venda de abadás para o Carnaval de Salvador.

Confira a entrevista que foi publicada no dia 16/02/2020 no jornal impresso:

O movimento começou faz algum tempo, mas os próximos dias são cruciais para quem faz da compra e venda de abadá e ingresso para camarote um ganha-pão. Faltando pouco – ou quase nada, já que hoje tem Furdunço na Ondina-Barra – para o início oficial do Carnaval, quinta-feira, o comércio informal ligado à festa já toma conta da internet, impulsionado por anúncios em plataformas como Facebook, Instagram, Twitter e OLX.

É fantasia do (bloco) afoxé Filhos de Gandhy; um dia ou mais do camarote mais badalado do circuito Osmar (Campo Grande); grupos e web comunidades permutando todo tipo de atração. Segundo os especialistas, as redes sociais são hoje para a folia um “up” dos anúncios classificados no passado, ou aquela feira (de troca) realizada antes na área do antigo Aeroclube (Boca do Rio), hoje transferida para Patamares, na orla de Salvador.

“A venda de abadás como um mercado informal já existia bem antes do advento das tecnologias. A diferença é que as plataformas, os softwares e aplicativos deram uma outra dimensão à coisa, facilitando as interações, conectando quem quer comprar de quem quer vender, seja um produto ou serviço. O ponto-chave aqui é a personalização (da negociação)”, diz a consultora em marketing digital da agência Aruna, Priscyla Caldas.

Segundo ela, apesar do “destaque” exercido pelo Facebook no que tange o comércio eletrônico momesco, o Twitter “é uma ferramenta que tem se mostrado veloz” para esta finalidade, “com opções de filtragem refinada por localização e usuários”. “Enquanto o Instagram possui elementos como hashtags (sistema de busca), páginas e a opção do envio de mensagens diretamente ao vendedor”, entre outros, afirma Priscyla.

O administrador de empresas Oscar Cardoso, 39 anos, hoje servidor em uma universidade pública federal, conhece como ninguém esse mercado e as facilidades propiciadas pela modernidade. Durante 11 anos ele foi um “profissional” do ramo. Começou sozinho e, já em 2017 (até passar em concurso), chegou a contratar mais três pessoas para trabalhar com ele – entre motorista, segurança e “alguém para cuidar da internet”.

Investimento

A depender do investimento feito (teve ano em que ele comprou R$ 30 mil em fantasias, daí a necessidade de um guarda-costas), Cardoso conta que o lucro com o trabalho pode chegar a até 40%. “Muita coisa, porém, mudou. Apesar do uso dos aplicativos de comunicação, houve a diminuição no fluxo de visitantes com o fortalecimento da festa no Rio (de Janeiro), Minas (Gerais) e São Paulo. Por três vezes consegui fazer dinheiro para um ano inteiro”, conta ele.

Ainda de acordo com Cardoso, o trabalho, no entanto, exige uma grande dose de dedicação, além de cuidados – tanto por parte de quem vende como de quem compra, lembra. “Eu sempre conversei muito antes de fechar negócio (com alguém), nesse meio-tempo você vai sondando a pessoa. Só marcava encontro em lugar público, como shopping, e só entregava em domicílio se no local houvesse portaria. É preciso planejamento”, diz.

Diretor da Central do Carnaval, o empresário Joaquim Nery adverte que, de preferência, o folião opte por fazer negócio nos “espaços oficiais” (empresas responsáveis diretamente pela venda, blocos e festa em camarote), mas que, “fora isso, é se cercar de cuidado, como em qualquer área”. “Sempre existiu (o mercado paralelo), e as tecnologias deram um salto maior. Era offline, na Boca do Rio, classificados, e ficou digital”.

“(Redes sociais) facilitam as interações, conectando quem quer comprar e vender” Priscyla Caldas

Para a sócia da agência de web marketing Artis Digital Priscila Berenguer, as mídias sociais são a bola da vez para os donos de pequenos negócios, gente que quer empreender, ou mesmo fazer uma renda extra – seja na sazonalidade ou de modo permanente. Ela frisa o baixo custo do investimento para, nos dias atuais, se fazer notar uma marca ou negócio, bastando para isso “dedicar um certo tempo” para cuidar dos anúncios, ou seja, da comunicação em si.

“Essas ferramentas (Facebook, Instagram, Twitter) são cada vez mais utilizadas pelas micro e pequenas empresas, pois são de baixíssimo custo. Antes você precisa de um alto valor investido para se fazer notar, enquanto que hoje, com um pouco de dedicação, às vezes uma parceria com um (micro) influenciador digital (youtuber), é possível fazer um negócio decolar. Tudo vai depender da estratégia (comercial) adotada”, fala.

Ainda segundo Priscila, as redes sociais cumprem o papel do “boca a boca de antigamente”, só que digital. Ela cita o exemplo do que acontece hoje com o programa Big Brother Brasil (da TV Globo), que, em sua 21ª edição, adotou os influenciadores digitais de forma a formar um novo público, uma outra geração. Gente que, diz ela, nem assiste tevê aberta, mas sabe de toda treta a partir do “disse me disse” entre os internautas.

“Sempre existiu (o mercado paralelo), e as tecnologias deram um salto maior” Joaquim Nery, da Central

“O WhatsApp hoje é o maior mecanismo de troca, mas o Instagram e o Facebook possuem uma magnitude absurda. Eu vivo essa realidade. De pequena empresa, empreendedor que vem agarrando a oportunidade de alavancar as vendas a partir da internet. Seja com uma atividade principal ou plano B, diante das possibilidades. Gente que faz adereço, customiza abadá, vai à luta, em vez de reclamar de que o Carnaval está chegando”.

Dono da confecção Oka Camisetas, Eduardo da Cruz, 45, diz que o forte do seu negócio são fardamento escolar, padrão esportivo, material para gincana, mas que consegue um incremento no faturamento nesse período da ordem de 15% com a venda de malharia para blocos, “grandes grupos” que resolvem vestir camisa com uma mesma estampa. Para tanto, Cruz investe na oferta dos produtos na OLX e Mercado Livre (marketplace).

“O Carnaval não é o nosso foco, mas um complemento. Nosso próximo passo é investir no uso de Instagram e Facebook, pois esses demandam mais atenção. Somos só três para fazer comercial, produção, administração. Acredito que com foco consigamos resultado e conquistar um público novo”.

CONFIRA DICAS DE SEGURANÇA:
Converse bastante
O trabalho tanto de vender como comprar um abadá exige uma grande dose de dedicação e cuidados. Converse bastante e possua referências mínimas do seu interlocutor

Lugar público
Quando for marcar um encontro, evite lugares distantes e dê preferência a locais com movimento e sistema de segurança, como shoppings. Se entregar em domicílio, dê preferência a locais com portaria

Apoio
Se você é do tipo que faz um investimento grande de comprar para revender, o ideal é contar com uma estrutura de apoio, como um motorista e/ou segurança.

Pagamento
Nunca realize o pagamento antes, e se o vendedor insistir para isso, desconfie. Espere se certificar de toda a lisura da negociação. Evite dinheiro em espécie.

Link:

http://atarde.uol.com.br/empregos/noticias/2119422-redes-sociais-impulsionam-venda-de-abadas-para-o-carnaval